Belintani Advogados

Artigos

25/08/2020

A relação entre o assédio moral e o risco à saúde mental do trabalhador

No Brasil, os transtornos mentais e comportamentais estão entre as principais causas de perdas de dias no trabalho. Dentre esses afastamentos estão os relacionados ao trabalho.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o ambiente psicossocial do trabalho inclui a cultura organizacional, bem como atitudes, valores, crenças e práticas cotidianas da empresa que afetam o bem-estar mental e físico dos trabalhadores. Exemplos de fatores de riscos psicossociais, segundo os autores LEVI (1998) e LEKA (2003):

No conteúdo do trabalho:

. Conteúdo de tarefas: monotonia, repetitividade, subutilização de habilidades, tarefas sem sentido, tarefas desagradáveis ou repugnantes;

. Carga e ritmo de trabalho: sobrecarga ou pouca carga de trabalho, trabalhar sob pressão de tempo;

. Horário de trabalho: pouca flexibilidade nos horários, longas jornadas, trabalho em horários na qual não há convívio social, horários imprevisíveis, esquema de turnos mal concebidos;

. Participação e controle: baixa participação na tomada de decisões, pouco controle em relação aos métodos de trabalho, ritmo de trabalho, horário e ambiente de trabalho;

No contexto do trabalho:

. Desenvolvimento de carreira, status e salário: insegurança no trabalho, baixa perspectiva ou pouca possibilidade de promoção, trabalho de baixo valor social, pagamento por produtividade, sistemas de avaliação de desempenho pouco claros ou injustos, ser mais qualificados, ou ter baixo nível de qualificação para o trabalho;

. Papel na organização: ambiguidade de papéis, papéis conflitantes dentro do mesmo trabalho, responsabilidade por pessoas, continuamente lidar com outras pessoas e seus problemas;

. Relações interpessoais: precariedade nas relações com supervisores, baixo apoio social dos colegas, bullying, assédio e violência no trabalho, isolamento físico ou social, não existir procedimentos estabelecidos para lidar com os problemas ou queixas;

. Cultura organizacional: má comunicação, liderança “pobre”, falta de clareza  sobre os objetivos organizacionais e estrutura organizacional;

. Interface do trabalho- casa: demandas conflitantes entre trabalho e vida pessoal, pouco apoio no trabalho aos problemas domésticos, pouco apoio em casa para os problemas do trabalho.

Condições ambientais: agentes físicos e químicos, iluminação deficiente ou excessiva; odores incômodos e outros.

Os riscos psicossociais são fatores que podem causar estresse emocional ou mental, muitas vezes chamados de “estressores” do local de trabalho.

Mas, o que os riscos psicossociais podem, efetivamente, causar no trabalhador?

Temos como exemplo a tensão e preocupação excessiva, transtorno do sono, dor crônica na cabeça, sensações desagradáveis no estômago, vivências constrangedoras no trabalho, estresse, dificuldade para relaxar, fadiga constante, desânimo, desmotivação, formigamento em ombros, braços ou mãos, depressão, ansiedade, burn-out, etc.

Algumas empresas são caracterizadas pela pressão da chefia e dos clientes, horas extras frequentes, ausência de pausa no trabalho, tarefas repetidas, competição entre os colegas, falta de perspectiva de ascensão, falta de reconhecimento do trabalho desenvolvido, número insuficiente de funcionários, o que gera medo de demissão.

Aliás, são os medos que imperam em um contrato de trabalho assim e o adoecimento, se manifesta além do aspecto mental, também os físicos e sociais como hipertensão, obesidade, sedentarismo, conflitos interpessoais, incluindo familiares, transtorno de adaptação e ainda em alguns casos, dependência química.

O assédio moral é gerador de “competitividade e sobrecarga” e em alguns ambientes, como por exemplo, de bancários, atua por meio de estratégias da organização que exigem elevada carga psicoafetiva: autocontrole exacerbado, exigências de perfeição no desempenho, medo de perder o emprego e constantes ameaças em relação à carreira, além, claro de pressões de tempo quanto ao ritmo do trabalho, metas e prazos.

A instituição do medo como forma de coação psicológica de “pressão psicológica” é caracterizada por assédio moral, que de  acordo com Soboll “trata-se de uma forma de violência psicológica, uma transgressão às normas de convívio em sociedade, e como consequência, restringe ações e comportamentos através do uso de poder de forma abusiva, podendo causar prejuízos no desenvolvimento e danos para a saúde física e emocional da vida.”

O trabalhador sofre, a família sofre, os colegas de trabalho também. É preciso proteger a saúde, é preciso proteger o trabalhador.

 

Voltar

Compartilhe no WhatsApp

Gostou do nosso conteúdo?

Inscreva-se para receber!

Desenvolvido por In Company