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15/09/2020

Síndrome de “Burn-out”, o que é e qual a responsabilidade do empregador?

Segundo pesquisas da International Isma-BR (Associação do Gerenciamento do Estresse), a síndrome de burn-out, também conhecida como síndrome do esgotamento profissional afeta 32% dos trabalhadores brasileiros.

Em pesquisa de junho da Associação Paulista de Medicina ouviu 1.984 profissionais em todo o país. O que revelou que 69% manifestaram ansiedade, 63,5%, estresse, 49%, exaustão emocional – 76% atendem mais de 20 pacientes por dia e 60% trabalham na linha de frente da Covid-19.

Um estudo com 1.257 profissionais de saúde que atuaram no combate  ao novo coronavírus em 34 hospitais da China apontou um risco elevado de aparecimento de danos à saúde mental. A pesquisa, publicada em março na revista da Associação Médica Americana (Jama), mostrou que pessoas que trabalharam na linha de frente da covid-19 relataram sintomas como depressão, ansiedade e insônia. A prevalência foi maior entre enfermeiras.

A maioria dos participantes tinha entre 26 e 40 anos (64,7%) e era do sexo feminino (76,7%). Mais de 60% dos entrevistados trabalhavam em Wuhan, onde os primeiros casos da doença foram registrados.

De acordo com a pesquisa, 71,5% dos profissionais relataram angústia, 50,4% falaram que tiveram sintomas de depressão, 44,6% disseram ter tido ansiedade e 34% relataram que sofreram com insônia.

No dia  20/08  eu escrevi sobre “A COVID-19 e os fatores de risco à saúde mental dos profissionais da saúde” (https://belintani.adv.br/a-covid-19-e-os-fatores-de-risco-a-saude-mental-dos-profissionais-da-saude/) e mencionei sobre o Burn-out, mas afinal, o que é essa síndrome?

Primeiramente quero esclarecer que a grafia que utilizo de burn-out é dessa forma seguindo o que os autores Marcos Mendanha, Pablo Bernardes e Pedro Shiozawa colocam no livro “Desvendando o Burn-out”, que a denominação com o hífen, segue a proposta da Organização Mundial de Saúde (OMS) consubstanciada na nova CID-11 (Internacional Satatistical Classification of Diseases and Related Health Problems 11th Revision), que entrará em vigor em 2022.

O burn-out se caracteriza como o esgotamento ou cansaço emocional, que pode se manifestar física e psiquicamente. Mais recentemente, o burn-out foi classificado como uma síndrome defensiva (mecanismo de defesa), que se manifesta em diversas profissões.

O indivíduo acometido de burn-out tem no campo laboral prejuízos em relação a sua carreira profissional, com consequentes impactos econômicos para o indivíduo e para a organização empresarial a qual está inserido. Há também o impacto social, familiar, traduzindo-se em sofrimento e refletindo em prejuízos para a própria sociedade.

E por que se discute a responsabilidade do empregador, nesses casos?

Porque o meio ambiente do trabalho tem que ser seguro e sadio, para que haja a proteção da saúde física e mental do trabalhador. Aliás, esse direito é constitucionalmente garantido.

Há também características pessoais, do trabalho e sociais, entretanto, todos os estudos indicam que os fatores ambientais e relacionados ao trabalho seriam mais preponderantes que os pessoais para o desencadeamento da Síndrome de Bourn-out.

Assim, a forma de como o trabalho é organizado, influencia na saúde mental do trabalhador e é também fator determinante para o desencadeamento da síndrome.

Portanto, são fatores desencadeantes, dentre outros:

Excesso de horas, alto níveis de cobrança para atingir metas de produção cada vez mais difíceis, desvalorização do trabalho, falta de segurança no emprego, sobrecarga de compromissos com prazos exíguos para cumprimento, falta de percepção da capacidade do trabalhador em desenvolver o trabalho, falta de recursos para responder às demandas laborais, conflitos relacionados à incompatibilidade entre a tarefa executada e a expectativa do trabalhador sobre a mesma, ambiguidade, incerteza, falta de informação sobre o trabalho e sua organização, objeto, metas e procedimentos, falta de igualdade e justiça organizacional, relações tensas e conflituosas, com colegas de trabalho, usuários de serviços e clientes, fatiamento das atividades, divisão das atividades a tal ponto que o funcionário não tenha autonomia sobre o processo completo do trabalho, impossibilidade de progressão, promoção no trabalho, excesso de competitividade entre colegas incentivada pela organização, priorizando o individualismo em detrimento do cooperativismo.

É importante também ressaltar que há uma diferença entre depressão e burn-out, e que todo o diagnóstico e tratamento sempre deve ser feito pelo profissional da saúde.

 

 

 

 

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